sábado, 12 setembro , 2026

Não, senhores, democracia não é isso!

Percival Puggina
Membro da Academia Rio-Grandense de Letras

“Vejo grandes perigos que são possíveis conjurar, grandes males que se podem evitar ou restringir, e firmo cada vez mais a crença de que, para serem honestas e prósperas, basta ainda que as nações democráticas o queiram.” Alexis Tocqueville
“Ingênuo!”, exclamarão alguns. “Não entende de política!”, dirão outros. “Quem é esse cara?”, indagarão muitos.

Que as pessoas argumentem para defender o próprio interesse é perfeitamente comum. Na política, muito “escondidinho” é feito com esse recheio. Bem diferente é o que acontece quando os sofismas são apresentados por pessoas e por meios de comunicação dos quais se espera melhor discernimento.

Afirmar que o Congresso pode barrar a Medida Provisória da Reforma Administrativa e argumentar sobre os fundamentos desse direito, é bem diferente de sair em defesa do Centrão (do Centrão!) quando faz isso. Aqui estamos diante do interesse público, do desrespeito à vontade popular que quis eleger um governo e um programa comprometido com a austeridade e a redução do gasto. A MP da Reforma Administrativa define o modo como o Presidente pretende governar. Com ela, reduziu para 22 o número de ministérios, extinguiu 21 mil cargos de confiança e eliminou custos fixos que ascendem a centenas de milhões de reais.

O Centrão, que não se confunde com o Congresso, e certamente não reúne a elite moral do Parlamento, decidiu – de modo inédito – intervir na forma como o governo deve ser organizado, cobrando a recriação de pelo menos dois ministérios (o das Cidades e o da Integração Nacional). Além de ser, o primeiro, um anacoluto na gramática de uma Federação, as duas pastas serviam aos interesses políticos dos congressistas junto aos prefeitos e governadores. Eram ministérios endinheirados e agências de negócios tão importantes quanto escusos. Reabri-los é uma bofetada na face da maioria do eleitorado que se manifestou nas urnas de outubro do ano passado. O mais desinformado jornalista de Brasília sabe disso e sabe que, exatamente em nome do respeito devido a quem venceu a eleição, o Parlamento deve se manter em prudente distância do modo como o governante eleito pretende organizar seu trabalho.

Não há, nesse sentido, uma autonomia absoluta do Executivo, mas há uma autonomia relativa, saída da consideração à decisão das urnas. Há coisas que não se deve fazer e uma delas é exigir a criação de ministérios como condição para aprovar projetos de governo. Isso não expressa uma convicção técnica sobre gestão, mas uma operação comercial. É indecente com todos os créditos do adjetivo, principalmente quando o Centrão quer a volta dos ministérios para si, com porteira fechada!

Portanto, dizer que tal conduta é própria da democracia e das prerrogativas dos poderes é defender um jogo político que levou muitos aos desconfortos dos cárceres! Tudo bem que Rodrigo Maia e seus seguidores queiram isso. Tudo bem que a oposição formal estimule todos os descréditos daí decorrentes. Tudo bem que muitos se deixem levar na conversa e que se ouricem os políticos beneficiados pela “negociação” que troca voto por cargo e influência. Mas não venham membros da Academia, jornalistas de relevo (valor é outra coisa), dizer que o Presidente, ao manifestar seu desgosto, revela espírito autoritário e incapacidade de conviver com os fundamentos da democracia. Todos nós sabemos o quanto era desprezível e quanto mal fez às finanças do país, a harmoniosa relação dos governos petistas com sua base.

Quando foi decidido que é inconveniente escandalizar-se diante de algo escandaloso?  “Democracia” com esses fundamentos descreve bem os governos anteriores, aos quais correspondem outros adjetivos que recheiam milhares de páginas de inquéritos e sentenças judiciais condenatórias. A isso a maioria do eleitorado de outubro, que exige respeito, disse um redondo não. Isso tem menos a ver com Bolsonaro e mais a ver com o Brasil querendo ser honesto e próspero.

Continue lendo

Pelo Estado entrevista – Carlos Roberto Silva, presidente do TRE/SC 

“Existe uma preocupação permanente com a segurança do processo eleitoral”   O desembargador Carlos Roberto da Silva,assumiu a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) em 2026, ano eleitoral. Agora, ele está à frente da organização, distribuição e controle de informações, entre outras atribuições, para garantir a idoneidade do pleito. A Coluna conversou com ele sobre como anda o trabalho do TRE SC, no combate à desinformação e utilização de Inteligência Artificial nas campanhas. Confira:  Pelo Estado - A desinformação e as fake news continuam sendo uma das maiores preocupações da Justiça Eleitoral. Como o...

Como escolher um curso de jiu-jitsu: guia prático para iniciantes

Para saber como escolher um curso de jiu-jitsu, é importante avaliar cinco pontos antes da compra: credencial do instrutor, estrutura do conteúdo, idioma, suporte...

A desconexão de Brasília, avanços na Saúde em Tubarão e a força do voto regional na Amurel

FOTO Notisul Brasília se desconectou do BrasilSim, “Brasília se desconectou do Brasil” é uma frase forte para definir o momento político e social do país,...

Capivari de Baixo recebe doação de quadra de basquete 3×3

Capivari de Baixo recebeu uma doação de materiais para a implantação de uma quadra de basquete 3x3. A entrega foi feita pela Associação Nacional...

Feira Faustina Empreende movimenta escola neste sábado em Tubarão

A Feira Faustina Empreende será realizada neste sábado (12), das 9h às 12h, na EMEB Faustina da Luz Patrício, em Tubarão. O evento é...

Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark Horse

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)...

Temporais em Santa Catarina causam estragos, granizo e alagamentos

Temporais em Santa Catarina provocaram granizo, alagamentos e danos em cidades do Oeste e Meio-Oeste entre a noite de quinta-feira (10) e a manhã...

Moraes fala em ‘escolha seletiva’ de Mendonça e pede a Fachin retirada de sigilo de todos os documentos do caso Master

O ministro Alexandre de Moraes pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, a retirada integral do sigilo...